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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Um conto infantil






A CURIOSIDEDE DO MARCELO


Marcelo estava pensativo… Como seria seu anjinho da guarda: Seria azul, branco, ou preto? Seria menino ou menina? Teria asas e seria gordinho? Será se ele sabia voar e podia ver tudo o que o ele fazia? Estas… E tantas outras perguntas ficavam a rodar na cabeça do menino de nove anos.
Sua mãe Magna lhe colocava para rezar todas as noites antes de dormir, dizia a ele que era pra lhe proteger dos maus sonhos e pesadelos. Ela era católica  fervorosa e todo domingo levava o filho para igreja. Enquanto o padre celebrava a missa, ele ficava sentadinho  olhando pra todos os lados querendo ver se os santos estavam lhe observando mesmo como sua mãe sempre lembrava.
O pai de Marcelo era espírita e lhe explicava que existia vida depois da morte do corpo físico e que os espíritos conhecidos por muitos como: Assombração, alma penada, fantasma, eram pessoas que já viveram aqui e continuavam por todos os lados, iguais quando estavam em suas vidas bem vividas
Todas estas histórias deixavam ele interessado e curioso,  lembrava de seu avô Higino que tinha falecido há mais de um ano e ficava imaginando onde ele estaria: Será se ele estava lá no céu como sua mãe sempre explicava ou… Na terra? sentado em sua cadeira de balanço em frente da casa como fazia todas as tardes. Ele ficava era confuso com tudo isto. Acreditava no céu, nos santos e nos anjos da guarda que sua mãe tanto lhe dizia existirem, mas também acreditava que existia vida depois que a morte levava o corpo fisico como seu pai Anton lhe explicava.
E agora: Em que ele acreditava mesmo? Marcelo não queria deixar sua mãe triste, mas preferia saber que seu avô continuava era vivo. Gostava muito dele, era alegre, divertido e  sempre lhe ajudava quando quebrava uma porta ou saía uma roda de seu carrinho.

Tinha saudades dos bons tempos que ele compartilhara com Higino.
Só de pensar que a morte tinha levado seu avô para o céu que: Apesar de ser um local bonito, era muito alto e nem tinha como o menino chegar para visitar o avô preferia pensar e acreditar que as pessoas que tanto amamos , não acabavam ou morriam, mas que elas continuariam suas vidas no mundo espiritual como seu pai dizia. Sabia que os anjos da guarda iriam guardar todos elas, para ficarem sempre bem protegidos… Lá no céu.

Escritora
Dothy Medeiros
Um conto infantil


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Alguém contigo


sexta-feira, 22 de junho de 2012

PIADAS INFANTIS



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  1. Crianças na Escola
    Situações relacionadas com escola.
  2. O Cotidiano das Crianças
    Os acontecimentos do dia a dia na vida das Crianças.
  3. As Crianças são Sinceras
    A sinceridade infantil causando alguns embaraços.
  4. Traquinagens Infantis
    As crianças e suas travessuras.
  5. Professores no seu dia a dia
    A vida cotidiana dos Professores.
  6. Piadas Diversas
    Piadas enviadas por crianças.
http://sitededicas.ne10.uol.com.br/humor.htm




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Fábulas




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As melhores fábulas, Contos tradicionais do Brasil ou "Contos da Carochinha", Contos infantis e Lendas do nosso folclore, tudo ilustrado. Escolha qualquer uma das opções e boa leitura!
* Fábulas






  • O Rei que Era Dono do Mundo
    Ele era o homem mais poderoso e rico da Terra. Assim mesmo não estava satisfeito, e queria sempre mais e mais.
  • A Fruta
    O grande desafio de um menino para colher uma fruta muito especial.
  • O Menino Que Viu Uma COISA...
    Ele era um Menino que não gostava muito de ir para a Escola. Era um campeão em gazear aulas. Um dia a caminho da Escola, ele resolveu descobrir o que tinha dentro daquele Casarão abandonado, de mais de 200 anos...
    Este conto está disponível também em AÚDIO. Ouça ou faça Download.
  • O Menino que Descobriu uma Coisa
    É certo que a Escola lhe ensinava algumas coisas, por isso não perdia um dia de aula. Mas, aquilo que aprenderia naquele dia, não sabia se poderia aprender numa Escola. De qualquer modo, não esqueceria nunca mais; nem se quisesse!
  • O Monstro Pé de Galinha
    Era uma menina que estava sem paciência naquele dia e então resolveu voltar da escola para casa sozinha. Não quis esperar pela mãe, e no caminho vai aprender uma grande lição...
  • A Árvore Mágica
    A história de um menino que a caminho da escola, ganha um presente especial.
  • Os Mistérios da Noite
    No silêncio da noite, se ficarmos atentos, podemos escutar muitos sons diferentes, estranhos, misteriosos, amedrontadores. Mas, e nossa imaginação, será que esta não contribui para criar a maioria dos nossos medos?
  • O Mistério do Velho Casarão
    Um mapa misterioso, um menino muito curioso e um grande mistério a ser desvendado.










  • O leopardo

    Um dia, o leopardo Nebr teve fome e logo tratou de arranjar maneira de encontrar comida, da forma mais fácil.

    Pediu ao seu filho Shabeel, que espalhasse pelas redondezas que, ele, a Sua Alteza, o Rei da Floresta, se encontrava muito doente. Assim foi feito! Um pouco por todo o lado se começou a ouvir o seguinte
    anúncio:

    O leopardo Nebr, nosso chefe, está a morrer.
    Todos os animais devem vir visitá-lo.

    Pouco a pouco, alguns animais começaram a chegar a casa de Nebr, que ao pressenti-los, deitou-se, fechou os olhos e fingiu-se de morto. Não demorou muito, para que novos cânticos começassem a circular:

    O nosso Rei morreu, morreu.
    Que tristeza a nossa!

    Depois de Shabeel ter trancado as portas, Nebr levantou-se de repente e matou todos quantos se encontravam na sua casa; comendo uns e guardando outros, para mais tarde se refastelar.

    Passado mais algum tempo, chegaram outros animais, para prestar as suas condolências. Entre eles, vinha a gazela, acompanhada do porco-espinho. Desconfiada, reuniu todos os presentes e contou-lhes das suspeitas que tinha sobre estarem a cair numa armadilha do leopardo. Como forma de precaução, decidiram procurar um lugar para se esconderem, caso fosse necessário. Todavia, só o porco-espinho é que não conseguiu encontrar um esconderijo.

    É então, que a gazela, espreitando para dentro da casa de Nebr, teve a seguinte ideia:

    -Porco-espinho, tu vais devagarinho esconder-te naquele buraco que está perto do leopardo. Depois, cravas-lhe no corpo um dos teus espinhos mais fortes e quando vires que as coisas estão mal paradas, escondes-te, que nós fazemos o mesmo.

    Assim foi! O porco-espinho dirigiu-se para junto de Nebr, o qual continuava a fingir estar morto. Primeiro, espetou os espinhos devagarinho e nada aconteceu.

    O leopardo estava mesmo morto!

    Depois, decidiu cravar com mais força. Foi, então que , Nebr, não conseguindo aguentar as dores por mais tempo, se levantou e começou a correr atrás do seu agressor.

    Todos se esconderam, enquanto o leopardo ficava cada vez mais furioso. Face a esta situação, a gazela cantarolou:

    O leopardo é o Rei da Floresta pela sua força, mas não pela esperteza.

    e os outros animais repetiram em coro:

    Devemos a vida à pequena e esperta gazela.

    A ela devemos a vida!



    Coletânea de Contos Infantis













    A fantasia e a imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro. No faz de conta, as crianças aprendem a agir em função da imagem de uma pessoa, de uma personagem, de um objeto e de uma situação que não estão imediatamente presentes e perceptíveis para ela no momento e que evocam emoções sentimentos e significados vivenciados em outras circunstâncias.
    Os contos e as histórias povoam o universo infantil. Principalmente com relação aos contos, sempre se enfatizam aqueles da tradição europeia, como Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e outros. Não trazemos para cultura escolar e para cultura infantil os contos africanos, indígenas, latino-americanos, orientais. Para educação que respeite a diversidade, é fundamental contemplar a riqueza cultural de outros povos, e nesse sentido vale a pena pesquisar e trabalhar com outras possibilidades.
    Outras histórias da nossa literatura, como História da Preta, O Menino Nito, Ana e Ana, Tranças de Bintou, Bruna e a Galinha de Angola permitem o contato com as culturas afro-brasileira e africana, com personagens negras representadas com qualidade e beleza.

    Referência Bibliográfica:



    O leopardo

    Um dia, o leopardo Nebr teve fome e logo tratou de arranjar maneira de encontrar comida, da forma mais fácil.

    Pediu ao seu filho Shabeel, que espalhasse pelas redondezas que, ele, a Sua Alteza, o Rei da Floresta, se encontrava muito doente. Assim foi feito! Um pouco por todo o lado se começou a ouvir o seguinte anúncio:

    O leopardo Nebr, nosso chefe, está a morrer.
    Todos os animais devem vir visitá-lo.

    Pouco a pouco, alguns animais começaram a chegar a casa de Nebr, que ao pressenti-los, deitou-se, fechou os olhos e fingiu-se de morto. Não demorou muito, para que novos cânticos começassem a circular:

    O nosso Rei morreu, morreu.
    Que tristeza a nossa!

    Depois de Shabeel ter trancado as portas, Nebr levantou-se de repente e matou todos quantos se encontravam na sua casa; comendo uns e guardando outros, para mais tarde se refastelar.

    Passado mais algum tempo, chegaram outros animais, para prestar as suas condolências. Entre eles, vinha a gazela, acompanhada do porco-espinho. Desconfiada, reuniu todos os presentes e contou-lhes das suspeitas que tinha sobre estarem a cair numa armadilha do leopardo. Como forma de precaução, decidiram procurar um lugar para se esconderem, caso fosse necessário. Todavia, só o porco-espinho é que não conseguiu encontrar um esconderijo.

    É então, que a gazela, espreitando para dentro da casa de Nebr, teve a seguinte ideia:

    -Porco-espinho, tu vais devagarinho esconder-te naquele buraco que está perto do leopardo. Depois, cravas-lhe no corpo um dos teus espinhos mais fortes e quando vires que as coisas estão mal paradas, escondes-te, que nós fazemos o mesmo.

    Assim foi! O porco-espinho dirigiu-se para junto de Nebr, o qual continuava a fingir estar morto. Primeiro, espetou os espinhos devagarinho e nada aconteceu.

    O leopardo estava mesmo morto!

    Depois, decidiu cravar com mais força. Foi, então que , Nebr, não conseguindo aguentar as dores por mais tempo, se levantou e começou a correr atrás do seu agressor.

    Todos se esconderam, enquanto o leopardo ficava cada vez mais furioso. Face a esta situação, a gazela cantarolou:

    O leopardo é o Rei da Floresta pela sua força, mas não pela esperteza.

    e os outros animais repetiram em coro:

    Devemos a vida à pequena e esperta gazela.

    A ela devemos a vida!


    Por que o porco vive no chiqueiro

    Esta história é do tempo em que o porco morava com o dentuço do seu tio, o javali, lá no meio da mata africana.

    Os dois passavam as manhãs, alegres e despreocupados, fuçando o chão em busca de frutas e raízes. À tardinha, depois de ficarem horas e horas se banhando e chafurdando na águas dos inumeráveis rios que cortam a profundeza da selva, regressavam à casa, situada no oco de uma árvore muito velha, para tirarem uma longa soneca.

    O javali adorava a vida ao ar livre. Graças aos seus pontiagudos e afiados dentes, não era incomodado, nem mesmo pelo poderoso rei da selva: o leão, que o tratava com todo respeito.

    Mas o porco, muito preguiçoso, vivia reclamando de tudo. Um dia, ele chegou perto do tio e anunciou:
    - Eu quero morar na aldeia dos homens.
    - O quê?- respondeu o surpreso javali. – As pessoas que moram naquelas estranhas cabanas cobertas de palha não gostam de bichos. Vão te prender. – avisou.
    - Estou cansado de comer só frutas e raízes todos os dias - protestou o porco.
    - Não faça isso, sobrinho pediu o javali. – Aqui nós vivemos em liberdade e junto à natureza - aconselhou o mais velho.
    O porco, que vivia sonhando saborear as guloseimas dos caldeirões fumegantes das mulheres, não deu ouvidos às advertências do tio e partiu no dia seguinte.

    A viagem até a aldeia dos homens foi longa, penosa e cheia de perigos. Mas o guloso, farejando a comida no ar, acabou chegando a um grande povoado.

    As crianças do vilarejo, assim que avistaram o animal, foram correndo chamar os adultos. Os homens, armados de paus e porretes, pegaram o pobre do porco e o colocaram dentro de um cercado.
    Desde esse dia ele vive preso no chiqueiro comendo restos de comida e, lamentando a sua sorte, choraminga dia e noite:
    - Bem que meu tio disse para eu não vir para a aldeia dos homens.



    Graças à rã Mainu

    Quando o filho de Kimanaueza chegou à idade de casar, o pai perguntou.-lhe se queria escolher a noiva. Mas ele deu uma resposta surpreendente:
    – Não me casarei com uma mulher da terra, só casarei com a filha do senhor SOL e da senhora LUA.
    – E como pensas pedi-la em casamento?
    – Cá me hei de arranjar.
    O rapaz escreveu uma carta e foi pedir a um veado que a levasse. Ele recusou:
    – Sendo um animal terrestre, não posso levar ao céu a carta.
    – Tens razão, vou arranjar outro mensageiro.
    Depois de falar com o antílope que lhe deu uma resposta semelhante à do veado, o rapaz procurou quem pudesse voar. Teve uma conversa com o falcão, que ainda agitou as asas mas desistiu:
    – Desculpa, não te posso valer. O céu é muito alto.
    Quanto ao abutre, foi mais direto:
    – Nem penses. O fôlego só me permite ir até meio caminho.
    Desconsolado o rapaz guardou a carta. Acontece que a notícia daquele estranho desejo já se tinha espalhado pela aldeia e chegou aos ouvidos da rã Mainu, que resolveu oferecer os seus serviços. O rapaz ficou admirado e até zangado:
    – Como te atreves a dizer que vais ao céu se aqueles que possuem asas garantem que não é possível!
    – Dá-me a carta e eu levo-a - insistiu a rã Mainu.
    Ele aceitou com maus modos.
    – Toma. Mas olha que se não cumprires o combinado, levas uma sova.
    A rã não ficou nada aflita. Dirigiu-se ao poço onde o povo do Sol e da Lua costumava abastecer-se de água, prendeu a carta na boca, desceu e ficou quieta.
    As pessoas esperadas não tardaram e logo que lançaram o balde à água a rã entrou disfarçadamente e assim viajou até ao céu sem ninguém saber. Chegando ao destino, deu um pulo e foi colocar a carta no quarto do rei Sol e da senhora Lua. Eles ficaram muito admirados quando leram a carta mas aceitaram o pedido. A rã Mainu regressou a casa pelo mesmo processo. A noiva desceu à terra deslizando por um fio especial tecido pela aranha que servia o rei.
    O rapaz casou com a filha do senhor Sol e da senhora Lua, foram felizes para sempre e tudo graças à inteligência viva da rã Mainu.


    O Sahuli

    Era uma vez um homem que se chamava Sahúli. Era cego e tinha dois filhos que se dedicavam à caça e andavam com uma espingarda.

    Um dia, os filhos foram caçar para a região deserta e levaram o pai, para que guardasse a carne. Quando chegaram, montaram o acampamento e partiram para a caça.

    O pai ficou sozinho e começou a ouvir atrás de si: nji!nji! Eram passos de uma pessoa. E Sahúli disse:
    - Sê benvindo, amigo!
    O que tinha chegado, respondeu:
    - Obrigado, amigo! E perguntou a Sahúli:
    - Ó amigo! De que é que sofres? Estás cego dos olhos ou do coração?
    Sahúli respondeu: - Os olhos estão cegos! O coração, cá dentro, está são!
    O outro voltou-se: - Então diz: "Claridade"!

    Quando Sahúli disse claridade, os seus olhos abriram-se e viu o homem sentado à sua beira. Sahúli preparou um pouco de tabaco, acendeu-o e deu-o ao amigo. Depois, os dois começaram a arrumar o acampamento: foram à lenha, foram à água, varreram, fizeram comida. E tudo ficou em ordem. Por fim, aquele que tinha vindo, disse: - Ó amigo! Estás cego dos olhos ou do coração?

    Sahúli respondeu: - Estou cego dos olhos. Então, diz "Escuridão"! Disse o amigo. E Sahúli disse escuridão e deixou logo de ver. Quando os filhos chegaram ao acampamento ficaram muito admirados e perguntaram: - Quem arrumou tudo isto? Sahúli contou-lhe o que se tinha passado, que tinha recuperado a vista por instantes. Os filhos disseram-lhe então: - Se esse amigo voltar, quando ele te pedir para dizeres escuridão, tu não dizes e em vez disso, vais dizer claridade. E vamos ver o que acontece! Fez-se noite e eles deitaram-se. E de manhã lá foram para a floresta caçar. O pai, mais uma vez, ficou no acampamento até que voltou a ouvir: nji!nji! Sahúli disse-lhe: - Sê bem vindo, amigo. O outro responde-lhe: - Obrigado amigo! E perguntou-lhe: - Ó amigo! De que sofres? Dos olhos ou do coração? Sahúli disse: - Estou cego dos olhos! E o amigo pede-lhe para ele dizer " Claridade".

    Sahúli, mais uma vez, disse a palavra e os seus olhos abriram-se. Sahúli preparou novamente um pouco de tabaco, acendeu-o e ofereceu-lho. Depois de o terem fumado, começaram a fazer o trabalho deles.

    Sahúli não se tinha esquecido do conselho dos filhos. Tirou comida e ofereceu-a ao amigo. E tudo correu bem até ao fim. Até que o outro se preparava para ir embora e perguntou a Sahúli:
    - Ó Sahúli! Estás cego dos olhos ou do coração?! Ele respondeu dizendo:
    - Os olhos estão cegos! O coração está são! E o outro:
    - Ora diz "Escuridão"! Mas, Sahúli, lembrando-se do que os seus filhos lhe tinham dito, respondeu:
    - "Claridade". E eis que ele continuou a ver! O amigo pegou numa mezinha que trazia consigo, aplicou-a nos olhos do Sahúli e eles ficarão sãos.

    Despediram-se, fizeram cargas de carne para o outro e ele partiu. Quando os filhos voltaram, ficaram muito alegres por verem que o pai tinha recuperado a vista. Deixaram o acampamento e foram para a aldeia, onde os receberam com muitas palmas.
    Fonte: Odisseia 2000


    Porque o cachorro foi morar com o homem

    O cachorro, que todos dizem ser o melhor amigo do homem, vivia antigamente no meio do mato com seus primos, o chacal e o lobo.
    Os três brincavam de correr pelas Campinas sem fim, matavam a sede nos riachos e caçavam sempre juntos.
    Mas, todos os anos, antes da estação das chuvas, os primos tinham dificuldades para encontrar o que comer. A vegetação e os rios secavam, fazendo com que aos animais da floresta fugissem em busca de outras paragens.
    Um dia, famintos e ofegantes, os três com as línguas de fora por causa do forte calor, sentaram-se à sombra de uma árvore para tomarem uma decisão.
    – Precisamos mandar alguém à aldeia dos homens para apanhar um pouco de fogo- disse o lobo.
    – Fogo?- perguntou o cachorro.
    – Para queimara o capim e comer gafanhotos assados - respondeu o chacal com água na boca.
    – E quem vai buscar o fogo?- tornou a perguntar o cachorro.
    – Você!- responderam o lobo e o chacal, ao mesmo tempo, apontando para o cão.
    De acordo com a tradição africana, o cão, que era o mais novo, não teve outro jeito, pois não podia desobedecer a uma ordem dos mais velhos. Ele ia ter que fazer a cansativa jornada até a aldeia, enquanto o lobo e o chacal ficavam dormindo numa boa.
    O cachorro correu e correu até alcançar o cercado de espinhos e paus pontudos que protegia a aldeia dos ataques dos leões. A notícia, e das cabanas saía um cheiro gostoso. O cachorro entrou numa delas e viu uma mulher dando de comer se distrair para ele pegar um tição.
    Uma panela de mingau de milho fumegava sobre uma fogueira. Dali, a mulher, sem se importar com a presença do cão, tirava pequenas porções e as passava para uma tigela de barro.
    Quando terminou de alimentar o filho, ela raspou o vasilhame e jogou o resto do mingau para o cão. O bicho, esfomeado, devorou tudo e adorou. Enquanto comia, a criança se aproximou e acariciou o seu pêlo. Então, o cão disse para si mesmo:
    – Eu é que não volto mais para a floresta. O lobo e o chacal vivem me dando ordens. Aqui não falta comida e as pessoas gostam de mim. De hoje em diante vou morar com os homens e ajuda-los a tomar conta de suas casas.
    E foi assim que o cachorro passou a viver junto aos homens. E é por causa disso que o lobo e chacal ficam uivando na floresta, chamando pelo primo fujão.


    O Candimba e o Rato do Mato

    O Candimba passava a vida a saltar vedações para roubar comida nas lavras e, por causa disso era sempre perseguido pelas pessoas e pelos cães.

    Raro era o dia em que se não ouvissem gritos.

    – Agarra, agarra que aí vai o Candimba!

    O rato do mato, desconhecendo a razão de tudo aquilo, perguntou-lhe certo dia:

    – Ouve lá, ó Candimba, que é que se passa contigo? Oiço sempre gritar pelo teu nome! Andas metido nalguma maca?

    O Candimba, na sua esperteza, para não ser conhecido como gatuno das lavras, respondeu:

    – Então não sabes o que se passa? Olha, olha, aquele barulho é da hiena que vive numa jaula, no quintal da minha vizinha Helena.

    – Será mesmo? - estranhou o rato do mato.

    – É mesmo! Se quiseres ter a certeza do que te digo, vai até à minha casa e logo verás se é verdade ou não.

    O rato do mato, cheio de curiosidade, foi lá ter no dia seguinte.

    O Candimba disse-lhe:

    – Senta-te atrás deste morro de salalé e espera por mim. Eu vou chamar a Helena para ela te mostrar a jaula com a hiena lá dentro.

    O rato do mato, convencido pelas palavras do amigo, ficou à espera.

    O Candimba como de costume foi assaltar as lavras. Ele conseguiu roubar um abacaxi da lavra da Xana. Mas, nesse dia, andavam caçadores muito perto e, mal o Candimba saltou a vedação e roubou o abacaxi, viu um grupo de caçadores com lebres e perdizes penduradas no cinto.

    Os cães correram logo atrás dele, a latir, e os homens perseguiram-nos com paus e com pedras a chover de todos os lados.

    O Candimba, que era bom na corrida, em poucos minutos chegou à sua toca, muito assustado.

    O rato do mato, ao vê-lo aflito, perguntou-lhe:

    – Afinal que se passa? Donde vens tão atrapalhado?

    – Atrapalhado o quê? Venho a correr para te avisar que a hiena da Helena já comeu hoje metade de um hipopótamo e ainda está cheio de fome. É melhor fugires.

    Fonte: Odisséia 2000


    Contos - Coleção de contos africanos








     














     BARRINHAS
    BOA NOITE!








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